A palavra meditação não nos veio do Oriente, e não veio da indústria do bem-estar. Ela aparece no segundo versículo do primeiro Salmo, na ordem que Deus dá a Josué à beira da terra prometida, e nos hábitos silenciosos de crentes ao longo de três mil anos. Em algum ponto do caminho, emprestamos a palavra, e ela voltou significando quase o oposto do que significava antes.
A meditação moderna, como a maioria a encontra, é uma prática de esvaziar: soltar os pensamentos, observar a respiração, deixar a mente se assentar na quietude por si mesma. Há um alívio real nisso, e uma ciência real por trás do alívio. Mas a meditação das Escrituras se move na direção oposta. Ela não esvazia a mente. Ela a enche, deliberada e lentamente, com a Palavra de Deus.
Uma palavra que significa murmurar
A palavra hebraica por trás de meditar nos Salmos é hagah. Não é uma palavra silenciosa. É o som baixo de um leão sobre sua presa, de uma pomba, de um leitor do mundo antigo repetindo um texto quase em voz alta. Meditar, no vocabulário da Bíblia, é manter as palavras em movimento através de você: ditas em voz baixa, repetidas, questionadas, carregadas. Menos como sentar à beira de um lago, mais como pão mastigado devagar o suficiente para se sentir o gosto.
Bem-aventurado o homem que não anda no conselho dos maus... mas sim, que tem seu prazer na Lei do SENHOR; e medita em sua Lei de dia e de noite. Ele será como uma árvore, plantada junto a ribeiros de águas, que dá fruto a seu devido tempo. (Salmos 1:1-3, resumido)
Repare no que o salmo promete e no que não promete. Não é prometido à árvore uma vida sem seca. É prometido a ela raízes: uma fonte que não depende do clima. É para isso que serve a meditação bíblica. Não para administrar o estresse, embora a paz muitas vezes venha depois, mas para o lento deslocamento de uma vida até que ela fique plantada junto a uma água que não se esgota.
Por que encher é melhor que esvaziar
Uma mente esvaziada está quieta como um quarto vazio está quieto: só até que algo se mova nele. A mente detesta o vazio, e no momento em que a prática termina, o barulho volta para reclamar seu espaço. As Escrituras adotam uma abordagem diferente. Elas dão à mente algo digno para carregar, para que o que a preenche na hora quieta ainda esteja lá na hora barulhenta.
É por isso que os salmistas falam de esconder a Palavra no coração, de se lembrar dela em suas camas, de acordar com ela. O versículo recebido devagar de manhã se torna a frase que ressurge, sem ser chamada, na dificuldade da tarde. Meditação é como a Palavra deixa de ser algo que você lê e passa a ser algo com que você pensa.
O livro desta lei nunca se apartará de tua boca: antes de dia e de noite meditarás nele, para que guardes e faças conforme tudo o que nele está escrito. (Josué 1:8)
Deus dá essa instrução a um homem prestes a liderar uma nação através de um rio rumo à guerra. Meditação, em outras palavras, não é um retiro para longe de dias exigentes. É preparação para eles.
Uma forma para os dias comuns
A prática pede menos do que você talvez tema. Pegue um único versículo, não um capítulo. Leia-o até conseguir dizê-lo sem olhar. Faça-lhe uma única pergunta: o que isso me mostra sobre Deus? Depois carregue-o. Volte a ele num sinal vermelho, na pia, na pausa antes de uma reunião. Deixe-o ter a última palavra antes de dormir. Toda a disciplina cabe no dia que você já tem, porque sua unidade não é a hora, mas o instante.
Feito assim por uma temporada, algo muda. Você para de vir às Escrituras para terminá-las e passa a vir para ouvi-las. O versículo carregado na terça-feira se torna a oração de que você precisava na sexta. As raízes encontram a água.
Essa meditação recuperada, mais antiga, é o que sustenta o Centro de Meditação do Verahm: uma passagem, áudio sem pressa, e espaço para sentar com um único versículo até que ele se assente. Não o vazio por si mesmo, mas a quietude com a Palavra em seu centro.
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